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A cidade anda cheia


Carros a toda velocidade não ligam para os que caminham alegando estarem seguros. Pessoas com mais dinheiro não se importam de esnobar aqueles com menos. Árvores estão sendo mortas para novos apartamentos surgirem. Mares vem sendo poluídos por descuidos que poderiam ter sido evitados. Transportes públicos com preços que fazem o nosso coração sangrar. Cadê a empatia? Pelas pessoas? Pela natureza? Cadê o amor? Estamos vivendo em um século onde coisas brutais acontecem todos os dias e agimos como se fosse algo normal, do cotidiano. E talvez, de fato, seja algo do cotidiano mas normal, meu caro, não é. As vezes me pergunto se sou a única que ver o mundo morrendo aos poucos e as pessoas renascendo cruéis muito rapidamente. Vejo crianças que antes, com um coração tão amável, se tornaram tão frias a ponto de tirar vidas. Vejo animais, que dó, sendo maltratados nas ruas e recebendo pedradas de vizinhos que alegam terem tido seus lixos espalhados pela rua. Sei que a tendência por aqui é só piorar, mas dói pensar que as coisas podem ficar piores que isso. Ainda verei muitas árvores sendo mortas, muitas pessoas se tornando cruéis e muitos animais sendo maltratados. Ainda verei o mar se tornar não habitável e os sinais de trânsitos sendo desreipeitados por completo. Verei você, eu e todos os que habitam esse planeta chamado terra sofrer coisas terríveis demais para serem escritas. As guerras dos séculos passados onde milhões de pessoas morreram ainda não acabou, não ouse se enganar. Elas ainda estão por aqui, só que agora, sinto dizer, talvez ainda piores que antigamente. Não estou desmerecendo as guerras passadas, longe disso. Estou apenas tentando mostrar que guerras ainda acontecem todos os dias e nós, seres humanos, nada fazemos para impedi-las. E quem ousaria, né? Para receber um tiro e morrer em calçadas como indigentes? Para serem chamados de loucos por tentar mudar algo que para muitos não tem mais soluções?! Afirmo, de todo o meu coração, que mais loucos os que pensam isso somos nós que nos calamos em meio a essa situação. Ainda vejo uma luz no fim do túnel, ainda pode haver esperanças. A cidade anda cheia, mas cheia de pessoas vazias. Não sejam mais uma. Transbordem, transbordem até serem capazes de encher outras pessoas.